Produções

Estimulação cognitiva em idosos portadores de prejuízo cognitivo estabelecido

Autores:

Tania Guerreiro

Maria Luiza Campello Lavrador

Introdução: A busca por intervenções que minimizem os agravos de pacientes portadores de déficit cognitivo é uma prioridade no âmbito da saúde do idoso. O prejuízo cognitivo para o indivíduo configura uma ameaça a sua autonomia e qualidade de vida. Para seus familiares, representa preocupação e necessidade de fornecer cuidados. Para a sociedade, implica na ampliação dos custos em saúde e na premência de desenvolvimento de estruturas sociais amparadoras. Nos últimos anos, a eficácia de diferentes intervenções tem sido avaliada e os estudos sugerem que a Terapia de Estimulação Cognitiva (TEC) para idosos apresenta resultados efetivos quanto ao desempenho cognitivo e qualidade de vida. Nesse trabalho, será descrita uma abordagem de estimulação cognitiva realizada pela terapeuta ocupacional do projeto Histórias do Meu Tempo, da Oficina da Memória® coordenada pela geriatra Tania Guerreiro.

Justificativa: Algumas abordagens não farmacológicas, como a TEC, tem se revelado promissoras para idosos portadores de prejuízo cognitivo estabelecido. Desse modo, a discussão dessas práticas e de suas metodologias é oportuna e relevante.

Objetivos: Promover a expressão de capacidades residuais através de estimulação cognitiva, afetiva e motivacional, a fim de contribuir para a manutenção da qualidade de vida.

Materiais e Métodos: Os encontros, que são semanais e tem duração de 60 minutos, estão inseridos em um projeto mais abrangente e multidisciplinar de Otimização Cognitiva. Para o ingresso no grupo, é realizada uma avaliação prévia onde são identificadas características, necessidades e interesses, além do perfil cognitivo para a formação de grupos mais homogêneos. O grupo em questão é formado por até 12 indivíduos, em sua maioria, portadores de síndrome demencial em fase inicial e intermediária. Cada encontro contém as seguintes etapas: 1- acolhimento com revisão dos nomes; 2- orientação espacial e temporal; 3- consciência corporal; 4- memória recente ex: notícias da semana; 5- introdução do tema com resgate de memória remota – vivências pessoais; 6- atividade principal com recursos diversos ex: jogos; dinâmicas, exercícios impressos, atividades artesanais, Powerpoint, vídeos; 7- encerramento com revisão das atividades do dia. Os participantes são incentivados a valorizar as trocas de conhecimentos e afeto no grupo, a investir no auto cuidado e a ampliar a percepção do seu meio.

Resultados: Observa-se fortalecimento das capacidades de interação social, melhora no humor, maior disposição física e mental e interesse pela vida.

Discussão: Configura-se um desafio para os profissionais da área de saúde estabelecer um modelo metodológico que permita a replicação de intervenções de TEC sem comprometer os ganhos advindos do enfoque centrado no indivíduo.

Poster apresentado no XII Congresso Brasileiro e IX Congresso latino Americano de terapia Ocupacional, em São Paulo, outubro 2011.

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